Durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), que acontece até 21 de novembro em Belém (PA), a educação também assume papel central no enfrentamento da crise climática.
Em um cenário global de emergências socioambientais cada vez mais frequentes e intensas, as escolas brasileiras também vivenciam os impactos diretos de enchentes, secas prolongadas, ondas de calor, queimadas e deslizamentos de encostas, o que compromete a frequência, a permanência e a segurança de estudantes e educadores.
Como mostramos na série de reportagens Escolas Resilientes, esses desafios exigem uma preparação urgente das redes de ensino para agir. E diferentes iniciativas têm buscado fortalecer a capacidade de resposta das comunidades escolares.
Uma delas é a parceria entre o Instituto Unibanco, o Consórcio Amazônia Legal, o Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) e o Vozes da Educação, que resultou na criação de cinco Guias sobre Educação e Emergências Climáticas voltados a apoiar redes e escolas na construção de planos e protocolos de resiliência.
O objetivo do material é oferecer diretrizes que orientem redes e escolas em seus processos de preparação e resposta frente aos impactos das mudanças climáticas Três desses guias serão lançados durante a COP-30, no dia 13 de novembro.
O primeiro volume, Educação e Emergências Climáticas – Fundamentos Conceituais, já está disponível para download (clique aqui para baixar). O e-book apresenta orientações práticas sobre como prevenir e mitigar riscos, preparar e organizar equipes, planejar rotinas e registrar aprendizados anteriores. Os outros dois guias abordam o cuidado emocional e a reorganização física das escolas em situações de calamidade.
Leia também
Confira os materiais e histórias da Série Escolas Resilientes
Kits gratuitos preparam educadores para a COP30 e o debate sobre crise climática
Inscreva-se na nossa trilha de webinários Porvir na COP
EduCOP30 reforça protagonismo das escolas
Enquanto as instituições parceiras trabalham na construção de referências, algumas escolas públicas mostram, na prática, como a educação já contribui para ampliar a atuação das escolas resilientes.
O MEC (Ministério da Educação) realizou no começo de novembro a EduCOP30. O evento foi uma das ações preparatórias da pasta para a COP-30.
As escolas convidadas apresentaram práticas pedagógicas que uniram conhecimento científico, cultura local e compromisso com o meio ambiente. A fala de um dos estudantes da Escola Estadual Domingos Briante, de Mato Grosso (MT), resumiu o espírito da ação: “Cuidar do Pantanal é cuidar da nossa própria estrada. E tudo começa com pequenos gestos na escola”.
Confira os projetos:
Amazônia – Ecoarte da Cidadania
Escola Maria Ivone de Menezes, Macapá (AP)
O projeto uniu arte, ciência e educação ambiental ao usar a fotografia como instrumento de sensibilização. Estudantes registraram os problemas ambientais do bairro Cidade Nova, como o descarte de lixo e o esgoto a céu aberto, e imprimiram as imagens em folhas de plantas da região, criando uma exposição que despertou a comunidade para o cuidado com o território.
Cerrado – Nascentes do São Francisco
Escola Municipal Raymundo Gravito, Sete Lagoas (MG)
Com foco na preservação das nascentes e da biodiversidade, os alunos realizaram pesquisas e ações de campo para compreender o papel da vegetação na manutenção dos rios do Cerrado. O trabalho envolveu entrevistas com moradores e campanhas educativas que reforçaram a importância de cuidar das águas e das florestas.
Pantanal – Educação Híbrida e Sustentabilidade
Escola Estadual Domingos Briante, São José do Rio Claro (MT)
A proposta integrou estudantes das zonas urbana e rural por meio de metodologias híbridas. As turmas estudaram a fauna, a flora e os impactos das queimadas, do desmatamento e do garimpo ilegal, desenvolvendo atividades colaborativas que ampliaram o sentimento de pertencimento e consciência ambiental.
Pampa – Árvores de Consciência
Escola Estadual Osvaldo Aranha, Rio Grande do Sul (RS)
Inspirado na trajetória da ativista queniana Wangari Maathai, vencedora do Prêmio Nobel da Paz, o projeto levou os estudantes a refletirem sobre o papel das comunidades na preservação ambiental. Galhos secos e resíduos coletados no ambiente escolar foram transformados em esculturas de árvores, simbolizando o equilíbrio entre natureza e humanidade.
Caatinga – Serra do Lima Sustentável
Escola Estadual Doutor Edino Jales, Patu (RN)
Com foco na vegetação do semiárido, os alunos exploraram as estratégias de sobrevivência das plantas e discutiram as adaptações necessárias para resistir à seca. O projeto reforçou que preservar a Caatinga é cuidar do futuro e da identidade do povo nordestino.
Mata Atlântica – Árvore da Vida
Escola Municipal Dr. Antônio Gomes de Barros, União dos Palmares (AL)
O projeto envolveu a construção de uma árvore simbólica dividida em raízes, tronco e galhos, representando o equilíbrio ambiental, as ações inspiradoras e os compromissos individuais de preservação. A atividade integrou arte, ciência e valores humanos, reafirmando o papel da escola como espaço de aprendizagem e cuidado com o meio ambiente.
Assine nossa newsletter e fique por dentro das tendências em educação





