Damaris Vitória Kremer da Rosa, acusada em um processo criminal no Rio Grande do Sul por crimes de homicídio qualificado e incêndio, morreu no último dia 26 de outubro, dois meses após ser absolvida.
Relembre caso: Jovem presa por 6 anos morre de câncer dois meses após ser absolvida no RS
A jovem que teve sua prisão preventiva decretada em junho de 2019, conseguiu a conversão para prisão domiciliar em março de 2025, após ser diagnosticada com neoplasia maligna do colo do útero, que exigia tratamento oncológico regular.
Quem era a jovem liberada após 6 anos presa injustamente e morta com câncer
Poucos meses depois de sua liberação para tratamento, em agosto de 2025, a jovem foi absolvida pelo Tribunal do Júri.
Acusações e perigo em liberdade
A prisão preventiva da acusada foi decretada pela Justiça do Rio Grande do Sul em junho de 2019. As investigações apontaram que Damaris, juntamente com outros acusados, teria planejado e executado a morte de Daniel Gomes Soveral, sendo utilizada como “isca” para atrair a vítima até o local de sua execução, em Salto do Jacuí, em Rio Grande do Sul. Após o homicídio, ela também foi acusada de participar do incêndio do veículo da vítima.
As autoridades consideravam sua prisão necessária para a garantia da ordem pública e da aplicação da lei penal, visto que a ré era suspeita de ser integrante da facção criminosa chamada “Os Manos” e estava em local incerto e não sabido durante boa parte das investigações, havendo indicativos de que poderia deixar o país.
Havia, inclusive, suspeitas de que os envolvidos haviam planejado a morte de outra testemunha, Kase Jhones, após ele ter delatado a empreitada criminosa.
Pedidos de liberdade e o diagnóstico de câncer
A defesa tentou a soltura diversas vezes. Um pedido de habeas corpus foi negado em 2020 pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça) e, posteriormente, novos pedidos de soltura foram avaliados.
Jovem presa injustamente teve liberdade negada antes de descobrir câncer
Um pleito em 2023 foi negado pelo TJRS (Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul) e pelo STJ em recurso. Em novembro de 2024, outro pedido alegando motivo de saúde foi indeferido, pois os documentos apresentados eram apenas receituários médicos, sem exames ou diagnósticos que comprovassem a patologia.
O cenário mudou em março de 2025, quando o estado de saúde foi oficialmente reconhecido. Em 18 de março de 2025, a prisão preventiva de Damaris foi convertida em prisão domiciliar e ela recebeu um alvará de soltura. A decisão foi motivada pela necessidade de tratamento oncológico regular para a neoplasia maligna do colo do útero.
A jovem foi autorizada a cumprir a prisão domiciliar na residência de sua mãe, em Balneário Arroio do Silva (SC), com a instalação de monitoramento eletrônico por tornozeleira. Em abril de 2025, ela iniciou o tratamento combinado de quimioterapia e radioterapia, com deslocamentos autorizados para hospitais em Santa Cruz do Sul (RS) e Criciúma (SC).
O desfecho judicial veio em agosto de 2025, quando a ré foi absolvida pelos jurados no julgamento realizado pelo tribunal do júri.





