Aos 81 anos, o escritor mineiro Evandro Affonso Ferreira coleciona alguns hábitos. O primeiro deles é ler apenas autores mortos, algo que começou a fazer quando era dono de lojas de livros usados – entre elas, os sebos Avalovara e Sagarana. O segundo, que pratica há mais de duas décadas, é o de escrever exclusivamente em espaços públicos, preferencialmente na rua. “Me dá uma tranquilidade”, conta em entrevista à Cult, em um café na região do Parque Ibirapuera, em São Paulo.
Sobre a mesa, o escritor – vencedor de dois prêmios Jabuti e dois troféus da APCA – folheia um livro do filósofo e historiador francês Étienne Gilson sobre Santo Agostinho. “Gosto de ler essas coisas porque não sei se acredito nelas ou não. Quando estou com amigos, digo que sou ateu; quando estou em casa, sozinho, no quarto, o coração começa a titubear e eu rezo. Acho que sou hipócrita.”
Em Confissões, Agostinho relata ter abandonado uma juventude de luxúria, vícios e crenças pagãs para levar uma vida monástica dedicada apenas à teologia cristã. Assim como o filósofo da Idade Média, Evandro também fala da própria…





