O navio do Greenpeace está chegando ao Brasil para a COP30 e queremos te apresentar um pouco mais de sua história

Em meio à tensão da Guerra Fria e às consequências invisíveis da corrida nuclear, o Greenpeace emergiu como uma das principais vozes globais pela paz e pela vida. Entre as diversas missões conduzidas por seus ativistas, uma ficou marcada na história como símbolo de humanidade e solidariedade: a ajuda ao povo das Ilhas Marshall, vítimas diretas dos testes nucleares realizados pelos Estados Unidos no Pacífico. Foi ali que o Rainbow Warrior se transformou em muito mais do que um navio — tornou-se refúgio, esperança e ponte para um futuro mais justo.
Um momento decisivo na história: as Ilhas Marshall e o Greenpeace
Na década de 1980, enquanto o mundo começava a compreender os impactos devastadores da era nuclear, o navio do Greenpeace se tornou um símbolo de solidariedade internacional e resistência. Foi nesse cenário que, em 1985, o Rainbow Warrior protagonizou uma das ações mais humanas e corajosas de sua história: a Operação Êxodo.
Em maio desse mesmo ano, o Greenpeace realizou uma de suas ações mais emblemáticas, quando o navio Rainbow Warrior ajudou a realocar cerca de 350 habitantes do atol de Rongelap, nas Ilhas Marshall, após mais de 10 anos de contaminação por testes nucleares dos Estados Unidos.
O pedido partiu do senador local Jeton Anjain, que procurou o Greenpeace em busca de ajuda para retirar sua comunidade da ilha, que havia se tornado insegura pela radiação. A tripulação, liderada por ativistas como Bunny McDiarmid e Steve Sawyer, respondeu ao chamado e iniciou a operação que levou famílias inteiras, pertences e materiais de construção para a ilha de Mejatto, a 180 km de distância.
Ao chegar, o navio foi recebido com cartazes que diziam “Amamos o futuro de nossos filhos”, frase que simbolizava a coragem e o amor daquela comunidade, que decidia abandonar seu lar em nome da sobrevivência das próximas gerações. A evacuação, descredibilizada pelo governo dos EUA na época, acabou se tornando um marco na luta antinuclear e um gesto profundo de solidariedade internacional.
A operação criou laços duradouros entre o Greenpeace e o povo de Rongelap. Décadas depois, Bunny e outros tripulantes retornaram às Ilhas Marshall para celebrar os 40 anos da missão. Foram recebidos com emoção: a comunidade usava camisetas estampadas com a imagem de Jeton e Sawyer a bordo do Rainbow Warrior em 1985 — um símbolo da amizade que resistiu ao tempo.
Durante a visita, também foram iniciadas novas pesquisas científicas para medir os níveis de contaminação nuclear ainda existentes nos atóis, reforçando a importância contínua da luta por justiça e reparação ambiental.
A Operação Êxodo não foi apenas um resgate — foi um ato de coragem coletiva que uniu duas histórias: a das Ilhas Marshall e a do Greenpeace, em defesa da vida, da dignidade e do futuro.
Heróis do mar: Rainbow Warrior enfrenta a pesca industrial no Dia dos Oceanos
Em junho deste ano, ativistas do Greenpeace interromperam uma operação de pesca industrial com espinhel no Oceano Pacífico Sul, apreendendo quase 20 quilômetros de equipamentos de pesca e libertando nove tubarões, incluindo um tubarão-anequim ameaçado de extinção, perto da Austrália e da Nova Zelândia.
Com uma equipe de especialistas em um pequeno barco, a tripulação do navio Rainbow Warrior libertou mais de uma dúzia de animais, recuperou todo o espinhel (aparelho de pesca) e mais de 210 anzóis usados por um navio de pesca industrial com bandeira da União Europeia.
Entre os animais libertados, estavam um tubarão-anequim ameaçado de extinção, oito tubarões-azuis quase ameaçados e quatro peixes-espada. A tripulação também documentou a captura de tubarões ameaçados de extinção pelo navio durante sua operação de espinhel.

“Salvamos espécies importantes que, de outra forma, teriam sido mortas ou deixadas para morrer nos anzóis. [..] Essas embarcações afirmam estar mirando peixe-espada ou atum, mas testemunhamos tubarão após tubarão sendo recolhido por essas frotas industriais, incluindo três tubarões ameaçados de extinção em apenas meia hora”, explicou Georgia Whitaker, ativista do Greenpeace Austrália-Pacífico.
A ação no mar segue uma nova análise do Greenpeace Austrália-Pacífico que expõe a extensão da captura de tubarões com espinhel industrial em partes do Oceano Pacífico. Os dados mais recentes sobre pesca mostraram que quase 70% da captura de navios da UE foi de tubarão-azul somente em 2023.
Mais de dois terços dos tubarões em todo o mundo estão ameaçados de extinção, e um terço deles corre risco de extinção devido à sobrepesca. Um dos papéis importantes dos navios do Greenpeace é apoiar na documentação desse tipo de atividade, na denúncia pública dessas violações e na pressão para que os governos protejam a vida marinha.
Detenção após ação pacífica em defesa de um Futuro Sem Plásticos
Em 30 de novembro de 2024, cinco ativistas do Greenpeace Internacional a bordo do Rainbow Warrior participaram de uma ação pacífica contra a poluição plástica e acabaram detidos por mais de 6 meses pelas autoridades locais, só podendo voltar para casa no final de junho de 2025.
Durante as negociações sobre o Tratado Global de Plásticos em Busan, os ativistas escalaram o mastro de um navio petroquímico prestes a transportar plásticos tóxicos no complexo Hyundai Daesan Refinery, na Coreia do Sul.

Após 48 horas detidos, Al, Ash, Jens, Sam e a Capitã Guerreira do Arco-Íris, Hettie, foram liberados, mas ainda seguiram sob investigação e impedidos de deixar o país.
A longa investigação só terminou no dia 11 de junho de 2025, depois de meses de mobilizações pelo mundo. O Tribunal Judicial de Seul anunciou sua decisão — uma multa pecuniária — e os cinco puderam voltar para a casa duas semanas depois.

O Greenpeace há muito tempo utiliza a ação direta não violenta em todo o mundo para conscientizar sobre a crise ambiental e pressionar por mudanças estruturais. Infelizmente, o caso dos cinco ativistas levantou questões sobre a proteção do espaço cívico, bem como sobre as liberdades e direitos fundamentais que deveriam ser garantidos em uma sociedade democrática.
Gostaríamos de dar uma merecida salva de palmas e agradecer aos ativistas Al, Ash, Jens, Sam e Hettie, capitã do Rainbow Warrior, que permaneceram fortes por tantos meses e acreditando na importância da mobilização. A luta por um futuro sem plásticos continua e contamos com você!
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