Paralelismo (português): o que é, tipos


Paralelismo é um fenômeno linguístico caracterizado pelo encadeamento simétrico de elementos em uma frase ou em uma oração, os quais apresentam alguma semelhança. Ele pode ser sintático (semelhança entre estruturas sintáticas), semântico (elementos de um mesmo campo semântico) e morfológico (termos de mesma classe gramatical).

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Resumo sobre paralelismo

  • O paralelismo é um encadeamento harmônico de elementos em uma frase ou em uma oração.

  • O paralelismo sintático apresenta duas ou mais estruturas sintáticas semelhantes.

  • O paralelismo semântico apresenta uma sequência de elementos de um mesmo campo semântico.

  • O paralelismo morfológico apresenta uma sequência de termos de mesma classe gramatical.

Imagem explicando o que é paralelismo e quais são seus tipos (sintático, semântico e morfológico) e mostrando exemplos.
O paralelismo é um recurso linguístico e estilístico. (Créditos: Isa Galvão | Mundo Educação)

O que é paralelismo?

O paralelismo é o encadeamento simétrico de construções morfológicas, sintáticas ou semânticas. É uma estratégia coesiva, já que é responsável pela retomada, pela reiteração ou pela repetição da estrutura da frase ou da oração, ou de elementos ou ideias que apresentam alguma semelhança.

Por exemplo:

Estou aqui pelo conhecimento, ela está aqui pela honraria.

Jurandir escreveu contos, novelas e romances.

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Paralelismo sintático

O paralelismo sintático é uma sequência de duas ou mais estruturas sintáticas semelhantes. Tais estruturas são compostas por expressões com mesmo valor sintático, mas com termos diferentes. Por fim, tal paralelismo é caracterizado pela repetição parcial ou total da estrutura sintática.

Observe este enunciado:

O professor fez menção ao filósofo, mas também fez alusão ao matemático.

Note que as expressões “fez menção” e “fez alusão” são semelhantes. O verbo “fez”, nos dois casos, é bitransitivo, sendo os sinônimos “menção” e “alusão” objetos diretos. Essa estratégia linguística permite a coesão sintática do texto, de forma a tornar o enunciado mais claro.

Paralelismo semântico

O paralelismo semântico é uma sequência de elementos ou ideias semanticamente idênticas. Tais elementos são dispostos de forma lógica e harmoniosa, de forma a contribuírem para a coesão e para a coerência do texto.

Os termos que compõem tal estrutura semântica podem ser da mesma classe gramatical ou de classes gramaticais diferentes, mas com significados associados a um mesmo campo semântico.

Observe este enunciado:

Fiz duas provas: uma no Rio de Janeiro e outra em São Paulo.

Dessa forma, as duas expressões ligadas pela conjunção aditiva “e” fazem parte de um mesmo campo semântico. Afinal, tanto Rio de Janeiro quanto São Paulo são substantivos próprios que nomeiam cidades.

Acesse também: Coesão e coerência — detalhes sobre esses fatores de textualidade que estão fortemente relacionados

Paralelismo morfológico

O paralelismo morfológico é uma sequência harmônica de termos de mesma classe gramatical, como, por exemplo, no enunciado:

É necessário dormir e sonhar todas as noites.

Porém, há uma quebra de paralelismo se escrevemos:

É necessário dormir e sonho todas as noites.

Afinal, foi utilizado o verbo “dormir” e o substantivo “sonho”, quebrando a harmonia da frase.

Outro exemplo de ausência de paralelismo morfológico:

Essa viagem a trabalho é de grande importância para mim, dando-me mais experiência e fará com que eu seja um bom profissional.

Observe que não existe harmonia entre os verbos, o que pode ser corrigido desta forma:

Essa viagem a trabalho é de grande importância para mim, dando-me mais experiência e fazendo-me ser um bom profissional.

Exemplos de paralelismo

Exemplos de paralelismo sintático

Você tem que medir a altura e também tem que medir a largura desse objeto.

Entre nós, existem aqueles que apontam os problemas, existem aqueles que trazem as soluções.

Apenas por mim eu falo, apenas por você eu minto.

Que você me ame, que você me respeite, é tudo que quero.

Quer tenhamos sucesso, quer tenhamos fracasso, lutar ao seu lado é o que me importa.

Exemplos de paralelismo semântico

Quem se dedica a ensinar valoriza as formas de estimular o aprendizado.

Julieta saiu cedo; mas, quando voltou para casa, estava triste.

Pedimos paciência aos pedreiros, já que o cimento estava acabando.

A professora disse ao aluno que ele estava equivocado.

O gato pulou sobre o muro, enquanto o cachorro latia feroz.

Exemplos de paralelismo morfológico

Estamos cientes de que a paciência, a dedicação e a ambição levarão ao crescimento profissional.

Era um rapaz consciente, inteligente e sagaz.

Júlia acordou cedo, tomou café e saiu.

Quero morar e estudar na França.

Vejo tudo, reflito sobre isso e aprendo a cada dia.

Paralelismo na literatura

Na literatura, o paralelismo é amplamente utilizado, principalmente, na poesia, de forma a contribuir para o ritmo poético.

Para exemplificar, vamos ler esta estrofe do famoso poema Canção do exílio, de Gonçalves Dias:

Nosso céu tem mais estrelas,

Nossas várzeas tem mais flores,

Nossos bosques tem mais vida,

Nossa vida mais amores.

Assim, os versos “Nosso céu tem mais estrelas,/ Nossas várzeas tem mais flores,/ Nossos bosques tem mais vida”, apresentam paralelismo sintático.

Agora, vamos ler esta estrofe do poema A um poeta, de Olavo Bilac:

Longe do estéril turbilhão da rua,

Beneditino, escreve! No aconchego

Do claustro, na paciência e no sossego,

Trabalha, e teima, e lima, e sofre, e sua!

O último verso apresenta uma sequência de verbos no presente do indicativo, o que se configura em paralelismo morfológico: “Trabalha, e teima, e lima, e sofre, e sua!”.

Por fim, no conto Pílades e Orestes, de Machado de Assis, é possível apontar:

Quintanilha engendrou Gonçalves” (morfológico).

“O primeiro era baixo e moreno, o segundo alto e claro” (sintático).

Jantavam juntos, faziam alguma visita, passeavam ou acabavam a noite no teatro” (morfológico).

Exercícios resolvidos sobre paralelismo

Questão 1

(Enem)

Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.

A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir todas as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.

COLASANTI, M. Eu sei, mas não devia. Rio de Janeiro: Rocco, 1996.

A progressão é garantida nos textos por determinados recursos linguísticos, e pela conexão entre esses recursos e as ideias que eles expressam. Na crônica, a continuidade textual é construída, predominantemente, por meio

A) do emprego de vocabulário rebuscado, possibilitando a elegância do raciocínio.

B) da repetição de estruturas, garantindo o paralelismo sintático e de ideias.

C) da apresentação de argumentos lógicos, constituindo blocos textuais independentes.

D) da ordenação de orações justapostas, dispondo as informações de modo paralelo.

E) da estruturação de frases ambíguas, construindo efeitos de sentido opostos.

Resolução:

Alternativa B.

No texto, repete-se, por exemplo, a estrutura “se acostuma”, de forma a configurar o paralelismo sintático, que permite conectar as ideias expressas no texto.

Questão 2

Analise os enunciados abaixo e assinale a alternativa que não apresenta paralelismo semântico.

A) Sentia amor pelo tio e nutria forte ódio pela tia.

B) Tinha respeito por mim e admiração pelo irmão.

C) Analisei meu passado e tracei planos para o futuro.

D) Trabalho durante o dia e estudo durante a noite.

E) Gosto de natação e tomo sorvete aos sábados.

Resolução:

Alternativa E.

Pertencem ao mesmo campo semântico: “amor” e “ódio”, “respeito” e “admiração”, “passado” e “futuro”, “dia” e “noite”. Já “natação” e “sorvete” não apresentam paralelismo semântico.

Fontes

BECHARA, Evanildo. Moderna gramática portuguesa. 40. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2024.

BIAR, Liana de Andrade; PINHEIRO, Diogo. “Com tanta eloquência, com tanta mentira”: repetição e recategorização em discursos de Fernando Collor. Alfa, São Paulo, v. 62, n. 3, set./ dez. 2018.

BILAC, Olavo. Tarde. Rio de Janeiro: Livraria Francisco Alves, 1919.

BORGES, Humberto. Paralelismo gramatical, coordenação e correlação na produção textual de estudantes de ensino médio em Brasília. 2011. Monografia (Bacharelado em Letras) – Instituto de Letras, Universidade de Brasília, Brasília, 2011.

GONÇALVES DIAS. Poesia. São Paulo: Agir, 1969.

KOCK, Ingedore Grunfeld Villaça. A coesão textual. 22. ed. São Paulo: Contexto, 2010.

MACHADO DE ASSIS. Obra completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994.

PONTES, Michelle Patrícia da Silva. Figuras de retórica nos sermões de Antônio Vieira. 2022. TCC (Licenciatura em Letras) – Faculdade de Letras, Universidade Federal de Alagoas, Maceió, 2022.

RIBEIRO, Marcello. “Tudo o que existe, desde maravilhas e catástrofes, é resultado de algum trabalho, uma vez que ele não se limita apenas ao homem, mas, sim, a todo o universo”: o papel da correlação inovadora, um exercício cognitivo? 2014. Tese (Doutorado em Letras) – Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2014.

SCLIAR-CABRAL, Leonor. Os mortos eu escuto, olhos despertos: homenagem a Moacyr Scliar. Lingüística, Montevideo, v. 32, n.1, jun. 2016.



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