Fux expõe espionagem de Moraes e esquema golpista envolvendo Bolsonaro


Segundo ministro, inquérito da Abin paralela revelou que o plano de perpetuação no Poder teria começado ainda em 2021




Ministro afirmou que tentativa de golpe já era estudada em 2021

Ministro afirmou que tentativa de golpe já era estudada em 2021

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O ministro do Supremo Tribunal Federal, Luiz Fux, afirmou nesta quarta-feira, 10, que o monitoramento do também ministro Alexandre de Moraes foi um dos primeiros movimentos dado pelos integrantes da trama golpista. O esquema de monitoramento, revelado em junho, era conduzido pela chamada “Abin Paralela”, e vigiava Moraes, outras autoridades públicas e opositores secretamente.

Segundo o ministro, a comprovação da existência do órgão “secreto”, que atendia aos pedidos do então presidente Jair Bolsonaro (PL), hoje réu no Supremo, corrobora a tese de que houve, de fato, um plano de permanência no poder.

A estrutura teria sido utilizada para espionagem política e ataque às urnas eletrônicas. O relatório da Polícia Federal apontou que Bolsonaro foi o principal destinatário das informações produzidas pelas ações clandestinas de espionagem. O ex-presidente não foi formalmente indiciado, porque já respondia por organização criminosa em outro processo, mas era apontado como líder das ações de arapongagem.

O esquema de espionagem ilegal monitorou quase 1,8 mil telefones entre fevereiro de 2019 e abril de 2021. A fala foi dada durante a sessão do julgamento da tentaiva de golpe de Estado, nesta quarta-feira, 10. 

O julgamento

Os ministros do STF Alexandre de Moraes e Flávio Dino votaram a favor da condenação de Jair Bolsonaro e de todos os envolvidos, no terceiro dia de julgamento, nesta terça-feira, 9. Nesta quarta, 10, o ministro Luiz Fux será o único a votar. Nos próximos dias, votará a ministra Cármen Lúcia e o presidente da Primeira Turma, Cristiano Zanin.

Nesta quarta-feira, 10, acontece o quarto dia de julgamento, que entrou na segunda semana. Os ministros do STF devem continuar as sessões nos dias 11 e 12 de setembro.

São réus no processo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL); ex-ministro da Defesa e da Casa Civil, Walter Braga Netto; ex-ajudante de ordens Mauro Cid; almirante de esquadra que comandou a Marinha, Almir Garnier; ex-ministro da Justiça, Anderson Torres; ex-ministro do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), Augusto Heleno; o general e ex-ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira; e o deputado federal e ex-presidente da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) Alexandre Ramagem (PL-RJ).

Em relatório final, emitido em julho, a Procuradoria-Geral da República pediu a condenação dos réus (com exceção de Ramagem) pelos crimes:

  • Organização criminosa armada – pena de 3 a 8 anos de prisão, podendo chegar a 17 anos se houver uso de arma de fogo ou participação de funcionário público;
  • Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito – pena de 4 a 8 anos de prisão;
  • Golpe de Estado – pena de 4 a 12 anos de prisão;
  • Dano qualificado pela violência ou grave ameaça – pena de seis meses a 3 anos de prisão;
  • Deterioração de patrimônio tombado – pena de 1 a 3 anos de prisão.
  • As penas máximas somadas podem chegar a 43 anos.



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