“Eclipse”, de Djin Sganzerla, é um filme essencial para o atual momento brasileiro e mundial

“Eclipse”, de Djin Sganzerla, é um filme essencial para o atual momento brasileiro e mundial

 

 

Eclipse se desenvolve entre oposições, numa geometria interna que instiga o pensamento. Visível e invisível, o que é e o que parece ser produzido em um jogo de sombras entre as cores do filme. Natureza e cultura, céu e terra, floresta e cidade, animal e humano, homem e mulher, feminino e masculino, intuição e ciência, razão e sensibilidade, cativeiro e liberdade são opostos que, ora em comunhão, ora em conflito, estruturam a trama.

Talvez a onça seja sua personagem principal, ainda que pareça correr em paralelo à narrativa envolvendo as duas irmãs, Cleo e Nalu. Nas cosmologias ameríndias, a onça é o mais poderoso dos seres. O “jaguar” é o destino dos heróis. Em Eclipse, ela é emblema da mulher atacada e “caçada”, mas que, por sua própria natureza, não cede em seu instinto de sobrevivência, intimamente ligado à dignidade, à liberdade e à autonomia. A coragem é a reação mais básica diante da violação desses valores.

Das fugas de Nalu pela mata à cena em que Cleo atravessa a casa e chega à rua, o que vemos é a afirmação da onça como destino. Distribuindo a energia imagética da…

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