A organização do tempo de trabalho nunca foi apenas uma questão produtiva, ela é, antes de tudo, uma questão política, social e profundamente marcada por relações de poder. No Brasil, a escala 6×1 (seis dias de trabalho para um de descanso) ainda estrutura a vida de milhões de trabalhadores e trabalhadoras, sobretudo nos setores mais precarizados. Defender o fim dessa escala não é apenas reivindicar melhores condições laborais; é disputar o direito ao descanso, à dignidade e à própria possibilidade de viver. No entanto, quando olhamos para essa pauta a partir de uma perspectiva de gênero, surge uma questão incontornável: quem, de fato, descansará?
A promessa do fim da escala 6×1 costuma ser associada a uma ideia de reequilíbrio entre vida pessoal e trabalho, de fortalecimento dos vínculos familiares e de ampliação do tempo livre. Mas essa promessa não se realiza de maneira homogênea. Para as mulheres, historicamente responsáveis pelo trabalho doméstico e pelo cuidado, o tempo “livre” pode facilmente se transformar em tempo intensificado de trabalho não remunerado. É nesse ponto que a discussão…





