“Desculpa por ser homem”: culpa, performance e a armadilha do falso aliado

“Desculpa por ser homem”: culpa, performance e a armadilha do falso aliado

Nos últimos anos tornou-se cada vez mais comum ouvir uma frase curiosa, quase um pedido de absolvição antecipada: “desculpa por ser homem”. Dita muitas vezes em tom irônico, outras em tom sério, ela aparece como uma tentativa de se diferenciar de um modelo masculino historicamente associado à violência, ao autoritarismo e ao privilégio. À primeira vista, pode parecer um gesto de consciência, até mesmo de humildade. Mas será mesmo?

Este texto parte de uma inquietação: o que está por trás dessa necessidade de pedir desculpas pela própria condição de homem? E mais importante, que tipo de política e de prática se constrói a partir disso? A resposta não é simples, mas passa por uma ideia central: a culpa, quando não acompanhada de transformação concreta, pode ser apenas mais uma forma sofisticada de manter as coisas exatamente como estão.

A frase “desculpa por ser homem” revela, antes de tudo, um deslocamento interessante. Em vez de encarar o problema como algo estrutural, isto é, um sistema de relações de poder que beneficia homens enquanto grupo, ela individualiza a questão. O homem que pede desculpas…

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