Dá para salvar os recifes de coral do branqueamento? Quais soluções estão em teste?




Dá pra salvar os recifes de coral do branqueamento? Quais soluções estão em teste?
Os recifes de coral, entre os ecossistemas mais ricos em biodiversidade do planeta, estão sob forte pressão.
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O aquecimento crescente dos oceanos provoca o branqueamento (quando os corais expulsam as algas que garantem sua sobrevivência), e esse processo pode levar à morte em larga escala.
Os últimos episódios em Fernando de Noronha, com até 95% de cobertura afetada em 2024, e os alertas de 2025 sugerem que eventos severos se tornaram praticamente anuais.
Por isso, a pergunta que pesquisadores se fazem agora é: ainda dá para reverter algo?
A resposta é que não existe solução única, mas um conjunto de estratégias pode ganhar tempo e aumentar a resiliência dos recifes.
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Uma das frentes é o desenvolvimento de corais mais resistentes ao calor, já em andamento em laboratórios, onde fragmentos capazes de suportar temperaturas mais altas são selecionados, multiplicados e replantados em áreas degradadas.
Outra linha de pesquisa é o microbioma do coral.
Experimentos introduzem bactérias benéficas que funcionam como probióticos, ajudando os organismos a enfrentar o estresse térmico.
Ensaios na Europa também testam antioxidantes naturais, como a curcumina, que reduzem o branqueamento.
Curcumina reduz o branqueamento de corais.
IIT/Università Milano-Bicocca
Há ainda soluções de engenharia. No Havaí e em Pernambuco, estruturas flutuantes são usadas para criar sombreamento e reduzir a temperatura da água.
Em alguns casos, corais são transferidos para águas mais profundas, onde a variação térmica é menor.
Uma das iniciativas mais visuais é a restauração ativa, conhecida como “jardins de coral”: fragmentos são cultivados em estruturas submersas que lembram árvores, e depois replantados em recifes degradados.
No Brasil, a Biofábrica de Corais, em Pernambuco, já aplica essa técnica.
A estratégia nacional ProCoral e projetos como o Coralizar, em Porto de Galinhas, também mostram como ciência, turismo e comunidades locais podem se unir para enfrentar o problema.
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Técnica de sombreamento de coral.
University of Hawaii at Manoa/Hawaii Institute of Marine Biology
Ao g1, o professor Carlos Eduardo Leite Ferreira, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Universidade Federal Fluminense (UFF), explica que ainda é cedo para prever como as espécies de corais em Noronha e em outros lugares do Brasil vão responder aos novos episódios de calor.
“Os corais de águas rasas certamente vão sofrer mais, enquanto os recifes formados por Montastrea cavernosa, abundantes entre 20 e 60 metros de profundidade, tendem a resistir melhor”, explica.
Pesquisas recentes também indicam que a natureza já vem selecionando espécies de algas simbiontes (zooxantelas) mais resistentes ao calor.
Mas, para os cientistas, o desafio é combinar esse processo natural com intervenções humanas que acelerem a recuperação.
“O clima está mudando em um ritmo muito mais rápido do que a capacidade dos recifes de se adaptar sozinhos”, resume Ferreira. “Sem investimento consistente e estratégias coordenadas, arriscamos perder ecossistemas únicos que sustentam comunidades costeiras e a biodiversidade marinha.”
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